Alzheimers Statins Portuguese

Page Contents

 

APOE-4: Indícios das Razões pelas quais a Dieta Pobre em Gorduras e as Estatinas podem Causar o Mal de Alzheimer

de Stephanie Seneff

Resumo

Alzheimer é uma doença devastadora cuja incidência vem claramente crescendo na América. Felizmente, atualmente tem-se investido uma significativa quantia em dólar para tentar compreender as causas do Alzheimer. O ApoE-4, um alelo da alipoproteína apoE, é um conhecido fator de risco. Já que o apoE desempenha um papel crítico no transporte do colesterol e gorduras ao cérebro, pode-se levantar a hipótese de que a insuficiência de gordura e colesterol no cérebro cumpre papel crucial no processo patológico. Em um notável estudo recente, descobriu-se que os pacientes com Alzheimer têm apenas 1/6 da concentração de ácidos graxos livres no líquido cerebrospinal, se comparados aos indivíduos sem Alzheimer. Simultaneamente, está se tornando muito claro que o colesterol esteja se difundindo no cérebro, e que isto cumpra papel essencial no transporte neural na sinapse e na manutenção da saúde das fibras nervosas que revestem a membrana de mielina. Descobriu-se que uma alimentação extremamente rica em gorduras (cetogênica) melhora a habilidade cognitiva dos pacientes de Alzheimer. Estas e outras observações descritas abaixo me levam a concluir que tanto uma dieta pobre em gorduras quanto um tratamento médico à base de estatina aumentam a suscetibilidade ao Alzheimer.

1. Introdução

O Alzheimer é uma doença devastadora que pouco a pouco vai reduzindo a memória ao longo de décadas. Começa com as estranhas lacunas de memória, mas depois constantemente desgasta a sua vida, ao ponto de a única opção é preocupar-se com um só dia. Com a gravidade do Alzheimer, você pode facilmente vagar e se perder, e nem sequer pode reconhecer a sua própria filha. O Alzheimer era um pouco conhecido antes de 1960, mas hoje ele ameaça frustrar completamente o sistema de saúde nos Estados Unidos.

Atualmente, mais de 5 milhões de pessoas na América têm Alzheimer. Em média, uma pessoa com mais de 65 anos com Alzheimer custa três vezes mais para o serviço de saúde que um sem Alzheimer. O aumento da incidência de Alzheimer ainda é mais preocupante. O Dr. Murray Waldman tem estudado dados epidemiológicos, comparando o Alzheimer com fraturas do fêmur, fazendo uma retrospectiva dos últimos cinquenta anos [52]. De forma alarmante, ele descobriu que, enquanto a incidência de fraturas de fêmur (outra condição que normalmente aumenta com a idade) tem crescido apenas linearmente, o aumento da incidência de Alzheimer tem crescido exponencialmente, entre 1960 e a Epidemia de Alzheimer de 2010 [15]. Somente entre 2000 e 2006, as mortes por Alzheimer nos EUA crescerem em torno de 47%, enquanto, em relação aos óbitos por doenças cardíacas, câncer de mama, câncer de próstata e derrames juntos diminuíram em torno de 11%. Este aumento vai além, nas pessoas com maior longevidade: pessoas com 85 anos e mais, o percentual que faleceu de Alzheimer cresceu em torno de 30% entre 2000 e 2005 [2]. Finalmente, é provável que estejam subestimados, já que muitas pessoas que sofrem com Alzheimer acabam falecendo por outro motivo. Você provavelmente tem um amigo ou parente próximo que esteja sofrendo de Alzheimer.

Algo em nosso atual estilo de vida esteja aumentando a possibilidade de que sucumbiremos ao Alzheimer. Acredito que as duas maiores contribuições sejam nossa atual obsessão por alimentação pobre em gorduras, combinada com a constante expansão do uso de medicamentos à base de estatina. Eu tenho defendido em outros lugares que a dieta pobre em gordura pode ser o maior fator do alarmante crescimento do autismo e tdah infantil. Também tenho contestado que a epidemia de obesidade e a correspondente síndrome metabólica pode ser atribuída à alimentação pobre em gorduras. Provavelmente as estatinas estejam contribuindo para o crescimento de muitos graves problemas de saúde além do Alzheimer, tais como septicemia, falência cardíaca, dano fetal, e câncer, como tenho defendido aqui. Eu acredito que as tendências só vão piorar no futuro, a menos que nós alteremos substancialmente a nossa visão atual de “vida saudável”.

As ideias desenvolvidas neste ensaio são resultado de uma extensa pesquisa em rede que realizei para tentar compreender o processo que provoca o desenvolvimento do Alzheimer. Felizmente, uma grande soma em dinheiro tem sido aplicada atualmente em pesquisas sobre o Alzheimer, porém uma causa nitidamente articulada ainda é indefinida. Contudo, muitas pistas empolgantes estão sendo notícia, e as peças do quebra-cabeça estão começando a se juntar formando uma estória coerente. Pesquisadores estão apenas recentemente descobrindo que tanto a gordura quanto o colesterol são severamente deficientes no cérebro de quem sofre de Alzheimer. Verifica-se que gordura e colesterol são ambos nutrientes vitais do cérebro. Este contém apenas 2% da massa corpórea, mas 25% do colesterol total. Este é essencial tanto para a transmissão dos sinais nervosos quando no combate a infecções.

Uma peça crucial do quebra-cabeça é uma marca genética que predispõe pessoas ao Alzheimer, denominado “apoE-4.” O ApoE desempenha papel fundamental no transporte de gorduras e colesterol. Atualmente conhece-se cinco diferentes variações do apoE (apropriadamente chamados de “alelos”), rotulados “2”, “3” e “4” os mais prevalecentes. Tem sido provado que o ApoE-2 fornece alguma proteção contra o Alzheimer;o apoE-3 é o alelo “padrão” mais comum, e o apoE-4, presente em 13-15% da população, é o alelo associado ao risco crescente ao Alzheimer. Uma pessoa com o alelo apoE-4, herdado tanto de sua mãe quanto de seu pai tem até vinte vezes mais probabilidade em desenvolver o mal de Alzheimer. Contudo, apenas cerca de 5% da população com Alzheimer na verdade tem o alelo apoE-4, então claramente há alguma coisa a mais na restante. No entanto, a compreensão das muitas funções do apoE no corpo foi um passo chave que levou à proposição de minha teoria sobre pobreza em gorduras/estatina.

2. Antecedentes: Biologia Cerebral 101

Embora eu tenha tentado escrever este ensaio de forma acessível aos leigos, será ainda útil primeiro a sua familiarização com os conhecimentos básicos da estrutura cerebral e os papeis desempenhados por seus diferentes tipos de células.

Em nível mais simples, o cérebro pode ser caracterizado como constituinte de dois importantes componentes: a massa cinzenta e a massa branca. A massa cinzenta é composta de corpos de neurônios, incluindo o núcleo celular, e a massa branca contém uma infinidade de “conexões” que conectam cada neurônio a cada neurônio com o qual se comunica. As conexões são conhecidas como “axônios” e podem ser bem longas, conectando, por exemplo, neurônios no córtex frontal (acima dos olhos) com outros neurônios bem dentro do cérebro relacionados à memória e ao movimento. Os axônios serão salientados nas discussões abaixo, pois são revestidos com uma substância gordurosa chamada membrana de mielina, e se sabe que esta camada de isolamento defende contra o Alzheimer. Os neurônios captam os sinais transmitidos pelos axônios nas junções chamadas sinapses. Aqui a mensagem precisa ser transmitida de um neurônio a outro, e vários neurotransmissores tais como a dopamina e GABA exercem influência excitatória ou inibitória sobre a resistência do sinal. Além de um simples axônio, os neurônios normalmente têm várias fibras nervosas bem mais curtas chamadas dendritos, cuja função é receber sinais de diversas fontes. Em um determinado momento, os sinais recebidos das várias fontes são integrados no corpo celular e toma-se a decisão sobre se a resistência do sinal está acima do limite, em cujo caso o neurônio responde com o aquecimento de uma sequência de pulsos elétricos, que são então transmitidos através do axônio para um destino possivelmente distante.

Além dos neurônios, o cérebro também contém um grande número de células “auxiliares” chamadas célula gliais, relacionadas ao cuidado e alimentação dos neurônios. Os três tipos principais de células gliais desempenharão essencial papel em nossa posterior discussão: os microgliócitos, os astrócitos, e os oligodendrócitos. Os microgliócitos equivalem aos leucócitos do resto do corpo. Relacionam-se ao combate aos agentes infecciosos tais como bactérias e vírus, e eles também monitoram a saúde do neurônio, decidindo sobre vida e óbito: programando um neurônio específico para apoptose (autodestruição intencional) se parecer ser um mau funcionamento além da esperança de recuperação, ou está infectado com um organismo que é muito perigoso deixar florescer.

Os astrócitos aparecem de forma destacada em nossa estória abaixo. Eles se reúnem mediante os neurônios e são responsáveis pela garantia de adequado suprimento de nutrientes. Os estudos sobre culturas de neurônios de sistemas nervosos centrais de roedores têm mostrado que s neurônios dependem dos astrócitos para receberem colesterol [40]. Decisivamente os neurônios precisam de colesterol, tanto na sinapse [50] quanto na membrana de mielina [45], a fim de transmitir os sinais sucessivamente, e também como linha de frente para defesa contra micróbios invasores. O colesterol é tão importante para o cérebro que os astrócitos são capazes de sintetizá-lo de ingredientes básicos, habilidade não encontrada na maioria dos tipos de células. Eles também fornecem ácidos graxos aos neurônios, e são capazes de assimilar ácidos graxos de cadeias curtas e combiná-los para formar os tipos de ácidos graxos de cadeias maiores que são especialmente destacados no cérebro [7][24][36], e depois distribuí-los aos neurônios vizinhos e ao fluido cerebrospinal.

O terceiro tipo de célula glial é o oligodendrócito. Estas células são especialistas em assegurar a saúde da membrana de mielina. Os oligodentrócitos sintetizam um ácido graxo especial que contém enxofre, conhecidos como sulfatidas, de outros ácidos graxos, que os suprem através do fluido cerebrospinal [9]. As sulfatidas têm se revelado essencial para a manutenção da membrana de mielina. As crianças nascidas com problemas na habilidade de metabolizar as sulfatidas sofrem de desmielinização progressiva, e perda rápida de funções motoras e cognitivas, resultando em óbito prematuro antes dos cinco anos [29]. A redução de sulfatidas é uma característica conhecida do mal de Alzheimer, mesmo em fases preliminares antes da manifestação do declínio cognitivo [18]. E o ApoE tem se mostrado detentor de papel essencial na manutenção das sulfatidas [19]. Ao longo da vida pessoal, a membrana de mielina tem que ser constantemente mantida e reparada. Isto é algo que os pesquisadores estão apenas começando a considerar, mas duas propriedades relacionadas ao mal de Alzheimer são a pobre qualidade da membrana de mielina junto à concentração drasticamente reduzida de ácidos graxos e colesterol no fluido cerebrospinal [38].

3. Gestão de Colesterol e Lipídica

Além de algum conhecimento sobre o cérebro, você também precisará conhecer sobre os processos que distribuem gorduras e colesterol a todos os tecidos corporais, com especial concentração no cérebro. A maioria dos tipos de células podem também usar gorduras ou glicose (um açúcar simples derivado dos carboidratos) como fonte de combustível para satisfazer as necessidades energéticas. Contudo, o cérebro é uma grande exceção a esta regra. Todas as células cerebrais, tanto os neurônios quanto as células gliais, são incapazes de utilizar as gorduras como combustíveis. Isto provavelmente porque as gorduras são preciosas demais para o cérebro. A membrana de mielina requer constante suprimento de gordura de alta qualidade para isolar e proteger os axônios incorporados. Já que o cérebro precisa de suas gorduras para ter vida longa, é primordial protegê-los de oxidação (pela exposição ao oxigênio) e de ataques de micróbios invasores.

As gorduras vêm em todos os tipos e tamanhos. Uma dimensão é o grau de saturação, que se relaciona a quantidade de ligações duplas que possuem, com gorduras saturados que possuem nenhuma, gorduras monoinsaturadas com apenas uma, e gorduras polinsaturadas que têm duas ou mais. O oxigênio quebra a ligação dupla e deixa a gordura oxidada, que traz problema ao cérebro. As gorduras polinsaturadas são daí, mais vulneráveis à exposição de oxigênio, devido às várias ligações duplas.

As gorduras são digeridas no intestino e liberadas na corrente sanguínea em forma de esfera relativamente grande com camada proteica protetora, chamada quilomícron. O quilomícron pode diretamente fornecer combustível a muitos tipos de células, mas pode também ser enviado ao fígado onde suas gorduras são selecionadas e redistribuídas em partículas bem menores, que também contém quantidades substanciais de colesterol. Estas partículas são denominadas “lipoproteínas,” (doravante, LPPs), pois contém proteína nos reservatórios esféricos e lipídios (gorduras) no interior. Se o seu colesterol foi medido, provavelmente ouviu falar sobre LDL (LPP de baixa densidade) e HDL (LPP de alta densidade). Se você acha que estes são diferentes tipos de colesterol, está enganado. Eles são apenas dois diferentes tipos de contêineres para colesterol e gorduras que cumprem diferentes funções no corpo. Há na verdade vários outros LPPs, por exemplo, VLDL (muito baixo) e IDL (intermediário), conforme o diagrama abaixo. Neste ensaio, eu me referirei a estes coletivamente como XDLs. Como se isto não fosse confuso o suficiente, há também outro singular XDL encontrado apenas no fluido cerebrospinal, que supre as necessidades nutricionais do cérebro do sistema nervoso. Este não parece ainda ter uma nomenclatura, mas o chamarei de “B-HDL,” pois parece com o HDL em termos de tamanho, e “B” é para “cérebro [13]”

Um importante ponto sobre todos os XDLs é que contém composições distintamente diferentes, e cada uma é destinada (programada) para tecidos específicos. Um conjunto de proteínas chamadas “apolipoproteínas” ou, equivalentes, “apoproteínas” (“apos”) aparecem fortemente no controle de quem obtém o quê. Como você pode perceber no esquema do quilomícron à direita, ele contém um arco-íris de diferentes após para toda provável aplicação. Mas os XDLs são bem mais específicos with HDL contendo “A,” LDL contendo “B,” VLDL contendo “B” e “C,” e IDL contendo apenas “E.” Os apos têm propriedades especiais de aglutinação que permitem que os conteúdos lipídicos sejam transportados pelas membranas celulares para que a célula possa ganhar acesso às gorduras e colesterol internos.

O único apo que nos interessa no contexto deste ensaio é o apoE. Ele é muito importante para a nossa estória por causa de sua conhecida ligação com o mal de Alzheimer. O ApoE é uma proteína, ou seja, uma sequência de aminoácidos, e sua específica composição é ditada pela sequência de DNA correspondente em um gene de código proteico. Certas alterações no código de DNA levam aos defeitos na habilidade no desempenho das funções biológicas por parte da proteína transcrita. O ApoE-4, o alelo associado ao aumento do risco de Alzheimer, é presumivelmente incapaz de desempenhar suas tarefa tão eficientemente como os demais alelos. Ao compreender o que um apoE faz, podemos melhor inferir como as consequências da pobre realização poderiam impactar o cérebro, e então observar experimentalmente se as características do cérebro de quem sofre com Alzheimer estão em conformidade com as funções desempenhadas pelo apoE.

Um forte indício sobre as funções do apoEs pode ser deduzido a partir de sua localização. Como eu mencionei acima, é o único apo tanto do B-HDL no fluido cerebrospinal quanto no IDL do soro sanguíneo. Apenas tipos de célula selecionados podem sintetizá-lo, onde os dois mais significativos para os nossos propósitos são o fígado e os astrócitos cerebrais. Assim os astrócitos fornecem a ligação entre o sangue e o fluido cerebrospinal. Eles podem conduzir os lipídios e o colesterol pela barreira hemato-encefálica, através do código especial, o apoE.

Verifica-se que, embora o apoE não seja encontrado no LDL, vincula-se ao LDL, e isto significa que os astrócitos podem desbloquear o código para o LDL da mesma forma que podem ganhar acesso ao IDL, e daí o colesterol e os ácidos graxos do DLD também são acessíveis para os astrócitos, mediante o perfeito funcionamento do apoE. Os astrócitos redimensionam e reacondicionam os lipídios e os liberam para o fluido cerebrospinal, ambos como B-HDL e simplesmente como ácidos graxos livros, disponíveis para captação por todas as partes do cérebro e do sistema nervoso [13].

Uma das etapas críticas de redimensionamento é converter as gorduras em tipos mais atrativos para o cérebro. Para entender este processo você precisa saber sobre outra dimensão de gorduras além do seu grau de saturação, que é o seu comprimento total. As gorduras têm esqueleto formado por cadeia de ligação de átomos carbônicos, e o número total de carbonos em determinada gordura a caracteriza como curta, média ou comprida. O cérebro funciona melhor quando as gorduras que o constituem são longas, e, de fato, os astrócitos são capazes de aglutinar cadeias curtas de gorduras e reorganizá-las para elaborar cadeias de gorduras maiores [24].

Uma dimensão final de gorduras que desempenha um papel é quando a primeira ligação dupla se localiza na gordura polinsaturada, que distingue as gorduras com ômega-3 das com ômega-6 (posição 3; posição 6). As gorduras ômega-3 são muito comuns no cérebro. Algumas das gorduras com ômega-3 e ômega-6 são os ácidos graxos essenciais, onde o corpo humano é incapaz de sintetizá-los, e, portanto, depende da alimentação para ser suprido. Por isto alega-se que o peixe “torna você mais inteligente”: pois peixes de água fria é a melhor fonte de gorduras essenciais de ômega-3.

Agora eu quero retomar o tema sobre os XDLs. É uma perigosa viagem do fígado ao cérebro, visto que tanto oxigênio quanto micróbios são encontrados em abundância na corrente sanguínea. O reservatório protetor do XDL contém LPP e colesterol não esterificado, como também o típico apo que controla quais células recebem os conteúdos, conforme mostrado no diagrama abaixo.

Os conteúdos internos são colesterol esterificado e os ácidos graxos, junto com certos antioxidantes, os quai são convenientemente transportados para as células acondicionadas no mesmo navio. A esterificação é uma técnica que promove a inércia das gorduras e do colesterol, o que auxilia em sua proteção contra a oxidação [51]. Ter antioxidantes (tais como vitamina E e Coenzima Q10) no trajeto também é conveniente, visto que protegem demais contra oxidação. O colesterol contido no reservatório, contudo, intencionalmente não é esterificado, o que significa que está ativo. Um de seus papeis ali é guardar contra bactérias e vírus invasores [55]. O colesterol é a primeira linha de defesa contra estes micróbios, já que alertará os leucócitos para o ataque sempre que encontrar agentes patogênicos perigosos. Também se tem proposto que o colesterol do reservatório do próprio XDL age como um antioxidante [48].

Os HDLs são os mais desprovidos de conteúdos lipídicos e colesterol, e a sua atribuição é levar o reservatório vazio de volta para o fígado. Uma vez ali, o colesterol será novamente designado para entrar no sistema digestivo como parte da bile, que é produzida pela vesícula para ajudar na digestão de gorduras ingeridas. Porém o corpo tem muito cuidado com a conservação de colesterol, para que 90% deste sejam reciclados, do intestino para a corrente sanguínea, contida no quilomícron, onde começou a nossa estória sobre gorduras.

Em resumo, a gestão da distribuição de gorduras e colesterol às células do corpo é um processo complexo, cuidadosamente orquestrado para garantir que terão uma jornada segura até o seu destino. Perigos rondam a corrente sanguínea, principalmente na forma de oxigênio e micróbios invasores. Para o corpo o colesterol é uma carga preciosa, e tem muito cuidado em sua conservação, reciclando-o, do intestino ao fígado, para que seja apropriadamente distribuído entre os XDLs que distribuirão tanto o colesterol quanto as gorduras para os tecidos que deles dependem, mais especificamente o cérebro e o sistema nervoso.

4. A Relação entre Colesterol e mal de Alzheimer

Através dos respectivos estudos, a indústria de estatina tem sido muito bem sucedida na brincadeira de fingir que o benefício derivado do alto colesterol se deve na verdade às estatinas, como eu tenho descrito exaustivamente em um ensaio sobre a relação entre as estatinas e o dano fetal, sepse, câncer, e falência cardíaca. No caso do mal de Alzheimer, eles estão jogando ao contrário: eles estão culpando o colesterol por um problema muito sério que acredito ser na verdade causado pelas estatinas.

A indústria de estatina tem procurado longa e arduamente por evidências de ser o colesterol alto um fator de risco para o Alzheimer. Os níveis de colesterol examinados para homens e mulheres de todas as idades entre 50 e 100, olhando há 30 ou mais anos se necessário, para ver se havia alguma correlação entre o colesterol alto e o mal de Alzheimer. Eles encontraram apenas uma relação estatisticamente significativa: homens que tinham tido colesterol alto em seus 50 anos tinham maior suscetibilidade ao mal de Alzheimer mais tardiamente na vida [3].

A indústria de estatina saltou nesta oportunidade para insinuar que o colesterol alto pode causar o Alzheimer, e, na verdade, eles foram muito afortunados, que repórteres morderam a isca e estão promovendo a ideia de que, se o colesterol alto há muitos anos está ligado ao Alzheimer, então as estatinas podem proteger contra o Alzheimer. Felizmente, existem longas páginas da web (O Colesterol Não Causa Alzheimer) que documentaram a longa lista de razões por que essa ideia é absurda.

Homens que têm colesterol alto em seus 50 anos são propensos ao tratamento com estatina: todos os estudos têm mostrado um benefício para as estatinas em termos de redução do número de pequenos ataques cardíacos envolvendo homens em seus 50 anos. O colesterol alto se correlaciona positivamente com a longevidade em pessoas com mais de 85 anos [54], e tem sido mostrado como associado à melhor função de memória [53] e redução de demência [35]. O inverso é também verdadeiro: uma correlação entre a redução dos níveis de colesterol e o Alzheimer [39]. Como será discutido mais tarde, as pessoas com mal de Alzheimer também têm níveis reduzidos de B-HDL, como também profundas reduções nos níveis de ácidos graxos, no fluido cerebrospinal fluid, ou seja, pobreza de suprimento de colesterol e gorduras para a membrana de mieline [38]. Como vimos antes, o suprimento de ácido graxo é essencial enquanto blocos construtores para as sulfatidas que são sintetizadas pelos oligodendrócitos para manter a saúde da membrana de mielina [29].

Obviamente o estudo que precisa ser feito é dispor os homens que tinham colesterol alto em seus 50 anos em três grupos: aqueles que nunca tomaram estatinas, aqueles que ingeriram doses menores em períodos curtos, e aqueles que ingeriram doses maiores em períodos mais longos. Tal estudo não será de difícil realização; na verdade, que algo similar já tenha sido feito. Mas você nunca saberá disso, pois a indústria de estatinas queimaram os resultados.

Em um antigo estudo de coorte de membros do Programa de Atendimento Médico Permanente, ao norte da Califórnia, os pesquisadores observaram dados de colesterol obtidos entre 1964 e 1973 [46]. Eles verificaram cerca de dez mil pessoas que tinham se mantido naquele plano de saúde em 1994, mediante a liberação de diagnósticos informatizados de pacientes ambulatoriais com demência (tanto com Alzheimer quanto demência vascular). Os participantes tinham entre 40 e 45 anos quando os dados de colesterol foram coletados.

Os pesquisadores encontram um resultado de baixa significância estatística onde as pessoas que tinham sido diagnosticadas com Alzheimer tinham colesterol mais alto em seus 50 anos, do que o grupo de controle. O valor médio para os pacientes com Alzheimer foi de 228,5, contrário a 224,1 para os de controle.

A pergunta que todos deviam fazer é: para o grupo dos que sofrem com Alzheimer, como as pessoas que depois tomaram estatinas seriam comparadas com as pessoas que não o fizeram? Em um extremo eufemismo, os autores precipitadamente comentam no meio de um parágrafo: “Para este estudo, não havia informações disponíveis sobre tratamentos com redução lipídica, o que tem sido sugerido para reduzir o risco de demência [31].” Você pode estar certo de que, se houve qualquer suspeita de que as estatinas pudessem ter ajudado, estes pesquisadores teriam recebido permissão para acessar aqueles dados.

O artigo ao qual eles se referem para fundamentação, referência [19] em [46] (que é referência [44] aqui) era muito pobre. O resumo para aquele artigo se repete por completo aqui no Apêndice. Porém a conclusão resume bem: “Parece improvável mais do que um papel modesto para as estatinas na prevenção do [Mal de Alzheimer].” Isto é o melhor do que podem inventar para defender a posição de que as estatinas poderiam proteger contra o Alzheimer.

Uma explanação intuitiva para o que o colesterol alto nos primeiros anos poderia estar correlacionado a risco do Alzheimer tem a ver com o apoE-4. As pessoas que têm aquele alelo são conhecidas pelo colesterol alto no início da vida [39], e eu creio qie esta é uma estratégia de proteção por parte do corpo. O alelo apoE-4 provavelmente é defeituoso na tarefa de importar colesterol para os astrócitos, e portanto um aumento de biodisponibilidade de colesterol no soro sanguíneo ajudaria na compensação deste déficit. Ingerir estatina seria a última coisa que alguém naquela situação gostaria de fazer.

5. As Estatinas Causam o Mal de Alzheimer?

Há uma razão clara da promoção do Alzheimer pelas estatinas. Elas paralisam a habilidade que o fígado tem de sintetizar colesterol, e como consequência o nível de LDL na queda de pressão sanguínea. O colesterol exerce função crucial no cérebro, tanto em termos de possibilitar o transporte de sinal através da sinapse [50] quanto em termos de encorajar o crescimento de neurônios através do desenvolvimento saudável da membrana de mielina [45]. Entretanto, a indústria de estatina orgulhosamente se gaba de que as estatinas são efetivas na interferência com a produção de colesterol no cérebro [31][47] como também no fígado.

Yeon-Kyun Shin é um especialista no mecanismo físico do colesterol na sinapse para promover a transmissão de mensagens neurais, e um dos autores [50] mencionados anteriormente. Em entrevista para um repórter da Science Daily, Shin disse: “Se você o cérebro do colesterol, então você afeta diretamente o mecanismo que provoca a liberação de neurotransmissores. Os neurotransmissores afetam as funções de processamento de dados e memória. Em outras palavras — como você é inteligente e quão bem você lembra as coisas.”

Uma excelente avaliação de estudos controlados com placebo, realizados por dupla ocultação, de duas grandes populações, sobre medicamentos à base de estatina em indivíduos com risco de demência e mal de Alzheimer mostraram que as estatinas não protegem contra o Alzheimer [34]. A principal autora do estudo, Bernadette McGuinness, foi citada por um repórter do Science Daily, declarando, “Destes experimentos, que continham grandes quantidades e eram de alto padrão — parece que as estatinas administradas tardiamente em indivíduos com risco de doença vascular não impedem a demência.” Uma pesquisadora da UCLA, Beatrice Golomb, quando solicitada a comentar sobre os resultados, foi ainda mais negativa, dizendo, “Considerando as estatinas medicamentos preventivos, há vários casos individuais em relatórios e séries onde a cognição é claramente e reprodutivelmente afetada adversamente pelas estatinas.” Na entrevista, Golomb salientou que vários experimentos aleatórios têm mostrado que as estatinas são adversas ou neutras em relação à cognição, porém nenhum tem mostrado resposta favorável.

Um efeito colateral comum das estatinas é a disfunção de memória. Dr. Duane Graveline, carinhosamente conhecido como “doutor do espaço” porque exerceu a medicina para os astronautas, tem sido um grande defensor contra as estatinas em seu website onde ele está coletando evidências de efeitos colaterais da estatina de usuários desta em todo o mundo. Ele foi conduzido a esta ofensiva sobre as estatinas como consequência de sua própria experiência pessoal de amnésia global transitória, um assustador episódio de perda total de memória onde ele está convencido de que foi causada pelos medicamentos à base de estatina que ele estava ingerindo na época. Ele agora concluiu três livros descrevendo uma variada coleção sobre efeitos colaterais danosos das estatinas, onde a mais famosa é o Lipitor: O Ladrão de Memória [17].

Uma segunda maneira (além de seu impacto sobre o colesterol) na qual provavelmente as estatinas impactam o mal de Alzheimer está em seu efeito negativo indireto sobre o suprimento de ácidos graxos e antioxidantes para o cérebro. Tem-se que as estatinas drasticamente reduzem o nível de LDL do soro sanguíneo. Esta é a notoriedade alegada. É interessante, contudo, que eles têm sucesso na redução não apenas da quantidade de colesterol presente nas partículas de LDL, mas mais ainda o número real de todas as partículas de LDL juntas. Isto significa que, além de esgotar o colesterol, telas reduzem o suprimento cerebral disponível tanto de ácidos graxos quanto de antioxidantes, que também são carregadas pelas partículas de LDL. Como nós vimos, todas estas três substâncias são essenciais para o funcionamento adequado do cérebro.

Eu conjecturo que há dupla razão para este efeito indireto: (1) há pouco colesterol na bile para metabolizar as gorduras alimentares, e (2) o efeito limitante na produção de LDL é a capacidade de fornecer colesterol adequado no reservatório para garantir a sobrevivência dos conteúdos durante o transporte na corrente sanguínea; ou seja, para proteger o conteúdo contra oxidação e roubo de bactérias e vírus. Pessoas que tomam a maior dosagem de 80 mg/dl de estatinas muitas vezes acabam com níveis de LDL tão baixos quanto 40mg/dl, bem abaixo mesmo dos números mais baixos observados naturalmente. Tremo só de pensar nas prováveis consequências em longo prazo de tão grave esgotamento em gorduras, colesterol e antioxidantes.

Uma terceira forma onde as estatinas podem promover o mal de Alzheimer é paralisando a habilidade das células de sintetizar a coenzima Q10. A coenzima Q10 tem a infelicidade de compartilhar do mesmo caminho metabolizante que o colesterol.

As estatinas interferem com etapa intermediária crucial sobre o trajeto para a síntese tanto do colesterol quanto da coenzima Q10. A coenzima Q10 é também conhecida como “ubiquinona” porque parece se mostrar em todos os lugares do metabolismo celular. Encontra-se tanto na mitocôndria quanto nos lisossomos, e tem papel essencial como antioxidante em ambos os lugares. Os ésteres inertes tanto do colesterol como dos ácidos graxos são hidrolizados e ativados nos lisossomas [8], e depois liberados pelo citoplasma. A coenzima Q10 consume oxigênio em excesso para preservá-la de causar danos por oxidação [30], enquanto também gera energia na forma de ATP (trifosfato de adenosina, a moeda universal de energia na biologia).

O último meio onde as estatinas deveriam aumentar o risco de Alzheimer é através de seu efeito indireito na vitamina D. Esta é sintetizada a partir do colesterol na pele, mediante exposição aos raios solares UV. Na verdade, a fórmula química da vitamina D é quase indistinguível daquela do colesterol, conforme mostrada nas duas figuras em anexo (colesterol à esquerda, vitamina D à direita). Se os níveis de LDL são mantidos artificialmente baixos, então o corpo será incapaz de reabastecer com quantidades adequadas de colesterol para repor os estoques na pele uma vez que tenham sido reduzidos. Isto levaria à deficiência de vitamina D, um problema geral na América.

Sabe-se que a vitamina D combate infecções. Citando [25], “Patientes com infecções severas como na sepse têm alta prevalência de deficiência de vitamina D e altas taxas de mortalidade.” Como será elaborado depois, um vasto número de agentes infecciosos têm se mostrado presente em quantidades anormalmente altas nos cérebros dos pacientes com Alzheimer [27][26].

Dr. Grant tem recentemente contestado [16] que há muitas linhas de evidências que apontam para a ideia de que a demência está associada à deficiência de vitamina D. Uma argumentação indireta é que a deficiência de vitamina D está associada a muitas condições que por sua vez trazem alto risco para a demência, tais como o diabetes, a depressão, a osteoporose, e doenças cardiovasculares. Os receptores de vitamina D estão presentes em todo o cérebro, e provavelmente desempenham função de combate de infecções. A vitamina D logicamente exerce outras funções vitais no cérebro também, como vigorosamente sugerido nesta citação do resumo de [32]: “Concluimos que há ampla envidência biológica para sugerir um importante papel para a vtamina D no desevolvimento e funcionamento da vitamina D.”

6. Astrócitos, Metabolismo de Glicose, e Oxigênio

O mal de Alzheimer está claramente correlacionado com a deficiência no suprimento de gordura e colesterol para o cérebro. O IDL, ao funcionar adequadamente, é realmente incrivelmente eficiente em transitação de colesterol e gordura do sangue através das membranas celulares, comparado ao LDL [8]. Ele desiste de seus conteúdos mais prontamente do que outros após. E chega a isto como consequência direta do apoE. O IDL (como o LDL) no sangue distribui gorduras e colesterol aos astrócitos do cérebro, e os astrócitos podem assim usar sua fonte externa ao invés de ter que produzir sozinhos estes nutrientes. I suspeito, na verdade, que os astrócitos apenas produzam um suprimento em particular quando o suprimento externo seja insuficiente, e assim fazem relutantemente.

Por que seria desvantajoso para um astrócito sintetizar suas próprias gorduras e colesterol? Para mim, a resposta tem a ver com oxigênio. Um astrócito precisa de fonte de energia significativa para sintetizar gorduras e colesterol, e esta energia é normalmente suprida pela glicose da corrente sanguínea. Tambem, o produto final do metabolismo da glicose é o acetilcoenzima A, o precursor tanto para os ácidos graxos e colesterol. A glicose pode ser consumida de forma eficiente na mitocôndria, estruturas internas dentro do citoplasma celular, através de processos aeróbios que demandam oxigênio. A glicose é quebrada para produzir o acetilcoenzima A enquanto produto final, como também ATP, a fonte energética de todas as células.

Contudo, o oxigênio é tóxico para os lipídios (gorduras), porque as oxida e as tornam rançosas. Os lipídios ficam frágeis se não envolvidos em reservatório de proteção como o IDL, o HDL, ou o LDL. Uma vez rançosas, elas estão suscetíveis à infecção pelos agentes invasores como bactérias e vírus. Então um astrócito que tenta sintetizar um lipídio tem que ter muito cuidado ao manter fora o oxigênio, ainda que este seja necessário para o metabolismo eficiente da glicose, o que fornecerá tanto o combustível (ATP) quanto as matérias-primas (acetilcoenzima A) para a sintetização de gorduras e colesterol.

O que fazer? Bem, verifica-se que há uma solução alternativa, embora bem menos eficiente: para metabolizar a glicose anaerobicamente diretamente no citoplasma. Este processo não depende do oxigênio (uma grande vantagem), mas também produz substancialmente menos o ATP (apenas 6 ATP em contraste com 30 se a glicose for metabolizada aerobicamente na mitocôndria). O produto final desta etapa anaeróbia é uma substância denominada piruvato, que posteriormente poderia se quebrado para produzir muito mais energia, porém este processo não é acessível a todas as células, e verifica-se que os astrócitos precisam de ajuda para que isto aconteça, onde entra o amiloide-beta.

7. A função crucial do Amiloide-beta

O amiloide-beta (também conhecido como “abeta”) é a substância que forma as famosas placas que se acumulam nos cérebros dos pacientes com Alzheimer. Muitos têm divulgado (mas nem todos) na comunidade acadêmica que o amiloide-beta é a principal causa do mal de Alzheimer, e como consequência, os pesquisadores estão ativamente procurando drogas que poderiam destruí-lo. Contudo, amiloide-beta tem a singula capacidade d eestimular a produção de uma enzima, lactato desidrogenase, que promove a desintegração do piruvato (produto do metabolismo da glicose anaeróbia) em lactato, através de um processo de fermentação anaeróbia, rejuvenescendo o NAD + e permitindo a produção de mais de uma quantidade substancial de ATP através da glicólise adicional.

O próprio lactato, por sua vez, pode ser utilizado como fonte energética por algumas células, e tem-se comprovado que os neurônios estão na resumida lista dos tipos de células que podem metabolizar o lactato. Então eu conjecturo que o lactato é transportado do astrócito para um neurônio vizinho para incrementar seu suprimento energético, assim reduzindo a sua dependência da glicose. Também se sabe que o apoE pode sinalizar a produção de amiloide-beta, mas apenas sob certas condições ambientais pobremente compreendidas. Eu sugiro que essas alavancas ambientais tenham a ver com a fabricação interna de gorduras e colesterol em oposição à extração destes nutrientes do suprimento de sangue, ou seja, o amiloide-beta é produzido como consequência de um estresse oxidante ambiental devido a um inadequado suprimento de gorduras e colesterol do sangue.

Além de ser utilizado como fonte energética ao ser quebrado para gerar o lactato, o piruvato pode também ser usado como bloco construtor básico para a sintetização de ácidos graxos. Então o metabolismo anaeróbio da glicose, que produz o piruvato, é uma situação ganhar ou ganhar: (1) ele significativamente reduz o risco de exposição dos áciso graxos ao oxigênio, (2) ele fornece uma fonte de combustível para os neurônios vizinhos na forma de lactato, e (3) fornece um bloco construtor básico para a síntese de ácidos graxos. Mais isto depende do funcionamento do amiloide-beta.

Assim, em meu ponto de vista (e de outros [28] [20] Amiloide-Beta e Alzheimer), o amiloide-beta não é causa do Alzheimer, mas sim um dispositivo protetor contra ele. O resumo da referência [28] que argumenta este ponto de vista foi reproduzido por completo no Apêndice. Muitas variações de um defeito genético associado à proteína precursora do amiloide (APP), da qual o amiloide-beta é resultado, têm sido agora identificadas. Um defeito nesta proteína, que está associado a um crescente risco de deflagração precoce do Alzheimer, provavelmente levaria a uma habilidade reduzida de sintetização do amiloide-beta, que então deixaria um grande problema para o cérebro, visto que tanto o combustível quanto os blocos construtores básicos para a síntese dos ácidos graxos seriam pouco fornecidos, enquanto a passagem do oxigênio na célula até a mitocôndria seria exposta à oxidação independente de quais gorduras estivessem sendo sintetizadas. A célula provavelmente seria incapaz de acompanhar a necessidade, e isto levaria à redução do número de ácidos graxos no fluido cerebrospinal do acometido por Alzheimer, uma característica sua bem consolidada [38].

8. O Papel do Colesterol no Cérebro

O cérebro é composto de 2% do peso corporal total, ainda contém aproximadamente 25% do total do colesterol do corpo. Tem-se estabelecido que o fator limitante que acompanha o crescimento de sinapses é a disponibilidade de colesterol, suprido pelos astrócitos. O colesterol desempenha um papel incrivelmente importante, dimensionando as duas membranas celulares com ajuste adequado, para que o sinal facilmente atravesse a sinapse [50]. Então o colesterol inadequado na sinapse enfraquecerá o sinal no princípio, e a inadequação do revestimento de gordura na membrana de mielina posteriormente o enfraquecerá e baixará a sua velocidade durante o transporte. Um neurônio que não pode enviar as suas mensagens é inútil, e só faz sentido retirá-lo e eliminar os seus conteúdos.

Os neurônios danificados pelo Alzheimer são locados em regiões cerebrais específicas associadas à memória e ao planejamento de alto nível. Estes neurônios precisam transmitir sinais a longas distâncias entre o córtex frontel e prefrontal e o hipocampo, localizado no mesencéfalo. O transporte destes sinais depende de uma conexão resistente e coesa na sinapse, onde o sinal é transferido de um neurônio ao outro, e uma transmissão segura pela comprida fibra nervosa, parte da massa branca. A membrana de mielina que reveste a fibra nervosa constitui-se principalmente de ácidos graxos, junto com uma concentração substancial de colesterol. Se não estiver bem isolada, o índice de transmissão do sinal perderá velocidade e sua resistência será gravemente reduzida. O colesterol é crucial tanto para a mielina quanto para a sinapse, como demonstrado dramaticamente pelos experimentos realizados em ratos geneticamente defeituosos, por Gesine Saher et al. [45]. Estes ratos mutantes não apresentaram habilidade para sintetizar colesterol em oligodendrócitos com formação de mielina. Eles mal tinham mielina distribuída em seus cérebros, e exibiam ataxia (movimentos musculares sem coordenação) e tremores. No resumo, os autores erroneamente escreveram, “Isto mostra que o colesterol é um componente indispensável das membranas de mielina.”

Em um exame post-mortem que compara pacientes com Alzheimer com um grupo de controle sem Alzheimer, descobriu-se que os pacientes com Alzheimer tinham quantidades significativamente reduzidas de colesterol, fosfolipídeos (por exemplo, B-HDL), e ácidos graxos livres no fluido cerebrospinal do que os de controle [38]. Isto é verdade independentemente se os pacientes de Alzheimer foram identificados como apoE-4. Em outras palavras, reduções destes nutrientes críticos no líquido espinal estão associadas com o mal de Alzheimer independentemente se a redução é devido a apoE defeituosa. As reduções dos ácidos graxos foram alarmantes: 4, micromol/L em pacientes com Alzheimer, em comparação com 28,0 micromol/L no grupo de controle. Esta é uma redução por mais de um fator de 6 na quantidade de ácidos graxos disponíveis para reparar a membrana de mielina.

As pessoas que têm o alelo apoE-4 tendem a ter colesterol alto no sangue. A indagação se este alto nível de colesterol seria uma tentativa do corpo de se ajustar devido à pobreza de captação de colestereol no cérebro foi feita por uma equipe de pesquisadores em 1998 [39]. Eles estudaram 444 homens entre 70 e 89 anos na época, para quem havia extensos registros de níveis de colesterol de várias décadas anteriores. Mai significativemente, os níveis de colesterol caíam para os homens que haviam desenvolvido Alzheimer antes de mostrarem os sintomas. Os autores sugeriram que seu colesterol alto poderia ter sido um mecanismo de proteção contra aquele mal.

Alguém poderia se perguntar por que seus níveis de colesterol caíam. Não havia menção sobre medicamento à base de estatinas no artigo, mas estas certamente seriam um meio efetivo de reduzir os níveis de colesterol. A indústria da estatina gostaria que as pessoas acreditassem que o colestyerol alto é um fator de risco para o Alzheimer, e eles estão bastante emocionados porque o colesterol alto no início da vida está correlacionado ao Alzheimer mais tardiamente. Porém estes resultados sugerem bem o oposto: que os níveis de colesterol no sangue são mantidos assim intencionalmente pelos mecanismos regulatórios do corpo como uma tentavia de compensar o defeito. Uma alta concentração levará ao aumento da taxa de distribuição ao cérebro, onde criticamente se necessita manter a membrana de mielina saudável para promover sinais dos neurônios nas sinapses.

Utilizando a tecnologia da ressonância magnética, os pesquisadores da UCLA puderam mensurar o grau de desintegração da mielina em regiões específicas do cérebro [6]. Eles realizaram seus estudos em mais de 100 pessoas entre 55 e 75 anos, para quem eles também determinaram o alelo apoE associado (2, 3, ou 4). Eles encontraram uma forte tendência onde o apoE-2 tinha o mínimo de degradação, e o apoE-4 o máximo, no lobo frontal cerebral. Todas as pessoas no estudo estavam assim bem mais saudáveis em termos de Alzheimer. Estes resultados mostram que desintegração prematura da membrana de mielina (provavelmente devido ao suprimento insuficiente de gorduras e colesterol para sua reparação) está associada ao apoE-4.

Resumindo, eu levanto a hipótese que, para os pacientes de Alzheimer com apoE-4, o apoE defeituoso tem levado a alteração da habilidade de transportar gorduras e colesterol da corrente sanguínea, através dos astrócitos, para o fluido cerebrospinal. O relativo colesterol alto no sangue é uma tentativa para corrigir parcialmente este defeito. Para os demais pacientes com Alzheimer (os sem o alelo apoE-4 mas que também sofriam com severa redução de ácidos graxos em seu fluido cerebrospinal), nós temos que buscar outra razão da possível desintegração de sua cadeia de suprimento de ácidos graxos.

9. Infecções e inflamação

Resumindo o que eu disse até agora, o mal de Alzheimer parece ser uma consequência de uma incapacidade de funcionamento apropriado dos neurônios, devido à deficiência em gorduras e colesterol. Um problema de composição sobre as gorduras é que elas ao longo do tempo se tornarão rançosas se não puderem ser adequadamente repostas. Gorduras rançosas são vulneráveis ao ataque por microorganismos tais como bactérias e vírus. O amiloide-beta é parte da solução, porque permite que os astrócitos sejam muito mais efetivos na utilização anaeróbia da glicose, o que protege as gorduras sintetizadas internamente e o colesterol contra a exposição ao oxigênio tóxico, enquanto ao mesmo tempo fornece a energia necessária tanto para o astrócito, para o processo de sintetização, quanto par os neurônios vizinhos para alimentar seus disparos de sinais.

Além dos astrócitos, os microgliócitos do cérebro também estão implicados no mal de Alzheimer. Os microgliócitos promovem o crescimento do neurônio quando tudo vai bem, mas desencadeiam a morte celular programada de um neurônio, na presença de substâncias tóxicas secretadas por bactérias como polissacarídeos [56]. Os microgliócitos secretarão as citocinas como defesa (sinais de comunicação que promovem uma resposta imunológica) quando expostos aos agentes infecciosos, e estes por sua vez causarão inflamação, outra característica bem conhecida associada ao mal de Alzheimer [1]. Os microgliócitos são capazes de controlar se os neurônios deverão viver ou morrer, e eles logicamente fundamentam esta decisão nos fatores relacionados ao bom funcionamento dos neurônios e se estão infectados. Uma vez que neurônios suficientes foram programados para a morte celular, a doença se manifestará como declínio cognitivo.

10. Evidência da Associação entre Infecção e Alzheimer

Há uma forte evidência de que o Alzheimer esteja relacionado à crescente probabilidade de afentes infecciosos que apareçam no cérebro. Alguns pesquisadores acreditam que os agentes infecciosos são a principal causa do mal de Alzheimer. Há várias bactérias que residem no sistema digestivo humano e podem coexistir com as nossas células sem causar qualquer dano. Contudo, a H. pylori, uma bem comum, tem se mostrado recentemente responsável pelas úlceras estomacais. Houve a suspeita de que a H. Pylori poderia estar envolvida no mal de Alzheimer, e, de fato, um estudo recente mostrou que os pacientes com Alzheimer apresentaram uma concentração significativamente maior de anticorpos contra a H. Pylori tanto em seu fluido cerebrospinal quanto em seu sangue do que os controlados sem Alzheimer’s [26]. A H. pylori foi detectada em 88% dos pacientes com Alzheimer, mas apenas 47% dos controlados. Em um esforço para tratar os pacientes com Alzheimer, os pesquisadores administraram uma potente combinação de antibióticos, e avaliaram o grau de declínio mental ao longo dos dois anos posteriores [27]. Para 85% dos pacientes, a infecção foi direcionada com sucesso, e para aqueles pacientes, a melhoria cognitiva também foi detectada depois da expiração dos dois anos. Então este foi um bom exemplo da possibilidade de tratamento do mal de Alzheimer com antibióticos.

A C. pneumoniae é uma bactéria muito comum, estimada em infectar 40-70% dos adultos. Mas há uma grande diferença entre uma bactéria presente na corrente sanguínea e percorrendo seu caminho no santuário interno cerebral. Um estudo de amostras post-mortem de várias regiões cerebrais dos pacientes com Alzheimer e o controlados sem Alzheimer revelaram uma estatística notoriamente diferente: 17 dos 19 cérebros com Alzheimer tiveram resultado positivo para a bactéria, considerando que apenas 1 dos 19 cérebros do grupo controlado resultou positivo [5].

Descobriu-se que muitos outros agentes infecciosos, tanto vírus como bactérias, estão associados ao mal de Alzheimer, incluindo herpes simplex, picornavirus, vírus da doença de Borna, e sífilis [23]. Uma proposição foi que um bacteriáfago específico – um vírus que infecta a bactéria C. pneumoniae – poderia ser responsável pelo mal de Alzheimer [14]. Os autores argumentaram que os fagos poderiam percorrer a mitocôndria da célula hospedeira e consequentemente inicializar o mal de Alzheimer.

11. Alimentação Cetogênica como Tratamento para o Mal de Alzheimer

Um dos paradigmas do promissor tratamento novo para o mal de Alzheimer é condicionar o paciente a uma dieta pobre em carboidratos e de teor de gordura extremamente alto, chamada dieta “cetogênica”. O nome vem do fato de que o metabolismo das gorduras alimentares produz “corpos cetônicos” como sub-produto, que são recursos muito uteis para o metabolismo no cérebro. Está se tornando cada vez mais claro que o metabolismo defeituoso da glicose no cérebro (chamado “diabetes tipo 3”) é uma primeira característica do mal de Alzheimer. Os corpos cetônicos, se eles penetram no astrócito diretamente ou são produzidos no próprio astrócito através da quebra das gorduras, podem ser distribuídos para os neurônios adjacentes, conforme a figura em anexo. Estes neurônios podem utilizar os corpor cetônicos tanto como fonte de energia (ubstituindo e, portanto, aliviando a glicose) e como um precursos para o GABA, um crítico neurotransmissor presente em todo o cérebro.

A evidência de que uma dieta cetogênica poderia auxiliar no mal de Alzheimer foi descoberto primeiro em pesquisa realizada em ratos que tinham sido criados para serem propensos ao mal de Alzheimer [21]. Pesquisdores descobriram que a cognição dos ratos melhorou quando eles foram tratados com alimentação pobre em carboidratos e com alto teor de gordura, e também que a quantidade de amiloide-beta em seus cérebros se reduziu. O útimo efeito seria prevista com base na premissa de que o amiloide-beta promove a utilização total de glicose anaerobicamente, conforme discutido anteriormente. Por ter corpos cetônicos como fonte adicional de combustível, a dependência de glicose é reduzida. Mas outro efeito que pode ser mais importante que este é a disponibilidade de gorduras de alta qualidade para melhorar a condição da membrana de mielina.

Esta ideia é apoiada por outros experimentos realizados em pacientes humanos com Alzheimer [11] [42]. Um estudo controlado com placebo, de 2004, [42] sobre o efeito do enriquecimento de gorduras alimentares no Alzheimer é especialmente informativo, porque Ele descobriu uma diferença significativa na eficácia para o enriquecimento de gordura para indivíduos que não tinham o alelo apoE-4 em comparação com aqueles que não. Ao grupo do teste experimental foi administrado uma bebida suplementar contendo triglicerídeos de caide média emulsificados, encontrados em alta concentração de no óleo de coco. Os indivíduos sem o alelo apoE-4 mostraram uma melhoria significativa nos resultados de um teste padrão para o mal de Alzheimer, enquanto aqueles com o alelo apoE-4 ão mostraram. Este é um forte indicador de que o benefício pode ter a ver com um aumento na captação pelo astrocito destas gorduras de alta qualidade, algo que os indivíduos com o alelo apoE-4 são incapazes de realizar devido aos mecanismos de transporte IDL e LDL defeituosos.

12. Tratamento com NADH: o Papel Crucial dos Antioxidantes

Um dos muito poucos promissores tratamentos para o mal de Alzheimer é a coenzima, NADH (Dinucleótido de nicotinamida e adenina) [12]. Em um estudo controlado com placebo, os indivíduos com o mal Alzheimer que receberam o NADH por seis meses tiveram desempenhos melhores na fluência oral, na habilidade construtiva visual e no raciocínio oral abstrato do que os indivíduos controlados com placebo.

Por que o NADH seria eficiente? No processo de conversão do piruvato para lactato, o lactato desidrogenase consome oxigênio com a oxidação do NADH para NAD+, conforme a figura em anexo. Então, se a biodisponibilidade de NADH aumentar é óbvio que o astrócito melhoraria a habilidade de converter o piruvato em lactato, a etapa crítica na trajetória do metabolismo anaeróbio incrementado pelo amiloide-beta. O processo, com a absorção de oxigênio tóxico, reduziria o dano aos lipídios devido à exposição ao oxigênio, e também forneceria lactato como fonte de energia para os neurônios.

13. Excessiva Exposição ao Oxigênio e o Declínio Cognitivo

Tem-se observado que algumas pessoas idosas sofrem de declínio cognitivo temporário e algumas vezes permanente após longo processo cirúrgico. Pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida e Universidade Vanderbilt suspeitaram que isto pudesse advir da excessiva exposição ao oxigênio [4]. Normalmente, durante uma cirurgia, as pessoas frequentemente recebem altas doses de oxigênio, até mesmo 100%. Os pesquisadores realizaram um experimento em ratos jovens adultos, que tinham sido programados para serem predispostos ao mal de Alzheimer, porém ainda não tinham sofrido com declínio cognitivo. Eles tiveram embora já tivessem depósitos de amiloide-beta em seus cérebros. Os ratos reprogramados, como também o grupo de controle que não apresentou gene de suscetibilidade para o mal de Alzheimer, foram expostos a 100 por cento de oxigênio por um período de três horas, três vezes maior que o período de vários meses, simulando repetidas cirurgias. Eles descobriram que os ratos predispostos ao Alzheimer sofriam de declínio cognitivo significativo após a exposição ao oxigênio, e contraste com os ratos para controle.

Esta é uma forte indicação de que a excessiva exposição ao oxigênio durante cirurgias esteja causando danos de oxidação no cérebro com Alzheimer. Dados os argumentos que apresentei acima, este resultado tem sentido. O cérebro, ao converter para metabolismo anaeróbio para gerar energia (com ajuda do amiloide-beta) está tentando seu melhor para evitar a exposição dos ácidos graxos e do colesterol aos danos da oxidação. Mas uma concentração extremamente alta de oxigênio no sangue dificulta muito a proteção das gorduras e do colesterol durante o transporte através do sangue, e também causa inevitável aumento de captação de oxigênio e, portanto, exposição dentro do próprio cérebro.

14. As Gorduras são Uma Escolha Saudável!

Você praticamente teria que se isolar como um aborígene australiano para não absorver a mensagem que gorduras alimentares, particularmente as gorduras saturadas, não são saudáveis. Eu estou extremamente certo de que esta mensagem é falsa, mas é quase impossível inverter esta tendência, devido a sua generalizada presença. A maior parte das pessoas não questiona o porquê das gorduras serem nocivas; elas supõem que os pesquisadores devem ter feito o seu trabalho de casa, e confiam nos resultados.

Dizer que a situação atual a respeito das gorduras alimentares seria um eufemismo. Repetidamente dizem-nos para manter baixo a nossa ingestão de gorduras, idealmente, 20% de nossas calorias totais. Isto é difícil de atingir, e eu creio que é um conselho insensato. Em contradição a esta meta “pobre em gorduras”, nós somos encorajados a consumir o máximo possível dos “bons” tipos de gordura. Felizmente, a mensagem que está finalmente se tornando bem acolhida é que as gorduras ômega-3 são saudáveis e as gorduras trans são extremamente prejudiciais. O DHA (ácido docosahexoenócio) é uma gordura ômega-3, encontrada em grandes quantidades no cérebro saudável. Na dieta, está disponível principalmente nos peixes de água fria, mas ovos e laticínios também são boas fontes. As gorduras trans são geradas através de um processo de alta temperatura que hidroliza gorduras poinsaturadas para uma configuração mais estável, que aumenta a vida de seu reservatório, mas as torna tão artificial que quase não podem ser mais chamados de alimento. As gorduras trans são extremamente prejudiciais tanto para a saúde do coração como do cérebro. O alto consumo de gorduras trans tem recentemente mostrado causa do aumento do risco de Alzheimer [41]. As gorduras trans são especialmente presentes em comidas altamente processadas – particularmente quando as gorduras são convertidas em pó.

Dizem-nos para evitar as gorduras saturadas, principalmente porque elas têm aparecido, segundo evidência empírica, mais prováveis de aumentar os níveis de LDL do que as gorduras insaturadas. Ainda estas gorduras são menos vulneráveis à oxidação, e isto pode ser a razão pela qual elas aparecem no LDL – porque eles são de qualidade superior e, portanto, devem preferencialmente ser distribuídas aos tecidos para papeis funcionais do que como combustível (por exemplo, ácidos graxos livres). O óleo de coco, uma gordura saturada, tem-se mostrado benéfica para os pacientes com Alzheimer [42]. E os laticínios com alto teor de gordura (também altamente saturados) têm se mostrado benéficos tanto para fertilidade feminina [10] quanto, notoriamente, para doenças cardíacas [37] [22].

Apesar da crença generalizada de que as gorduras (particularmente as gorduras saturadas) são prejudiciais, um artigo que apareceu no American Journal of Clinical Nutrition em 2004 [37] alega que, para um grupo feminino pós-menopause, uma dieta de gorduras altamente saturadas permite melhor proteção contra doenças das artérias coronárias do que uma dieta pobre em gorduras (25% das calorias das gorduras). Os indivíduos estudados eram mulheres obesas com doenças nas artérias coronárias. A maioria delas tinha pressão sanguínea alta, e muitas tinham o diabetes. Elas se enquadravam no perfil para síndrome metabólica que eu tinha anteriormente argumentado que é uma consequência direta da dieta de alto teor de carboidratos e pobre em gorduras. Estou grato por ver que a minha hipótese que um aumento na ingestão de gordura reduziria o seu risco de doenças cardíacas tem sido verificada por um estudo cuidadosamente controlado.

Outra pesquisa onde as gorduras se revelaram como protetora contra doenças cardíacas acabou de ser concluída. Envolveu um estudo de longo prazo de um grande número de homens suecos [22]. Os autores examinaram os laticínios ricos e pobres em gorduras, como também o consumo de frutas e legumes, carnes, grãos, etc. O único resultado estatisticamente significativo mostra que a proteção contra doenças cardíacas conseguidas foi uma combinação de laticínios ricos em gorduras e bastantes frutas e legumes. As frutas e os legumes com laticínios pobres em gorduras não conseguiram proteger.

Eu suspeito que um dos principais nutrientes fornecidos pelas frutas e legumes é antioxidante que auxilia a prolongar a vida das gorduras. Outras excelentes fontes de antioxidantes incluem frutas ricamente coloridas como as bagas e os tomates, café, chá verde, e chocolate negro, e vários temperos, mais especificamente a canela e a cúrcuma (um importante ingrediente do curry). Estes devem se consumidos em abundância junto com as gorduras para obter ótimos resultados.

As gorduras polinsaturadas, tais como óleo de milho e óleo de canola, são prejudiciais para o cérebro, precisamente porque são insaturados. Há dois grandes problemas: (1) eles têm baixo ponto de fusão, o que significa qur, se forem usados para frituras, serão convertidas em gorduras trans, as quais são extremamente prejudiciais, e (2) elas são muito mais suscetíveis a se tornarem rançosas (oxidados) à temperatura ambiente do que as gorduras saturadas, ou seja, seu reservatório tem uma vida curta.

Pesquisadores na Alemanha recentemente realizaram um experimento genial, destinado a determinar como o grau de frescor das gorduras polinsaturadas afeta o metabolismo daquelas gorduras em camundongos fêmeas lactantes [43]. Eles dividiram as fêmeas em dois grupos, e a única diferença entre o grupo para experimentação e o grupo de controle foi que o grupo para experimentação recebeu gorduras que tinham estado em local aquecido por 25 dias, o que causou considerável dano oxidativo, enquanto o grupo de controle ao contrário foi alimentado com gorduras frescas. A dieta incomum dos camundongos teve início no dia em que eles tinham dado a luz a uma ninhada. Os pesquisadores examinaram diferenças aparentes das glândulas mamárias e do leite produzido pelos dois grupos. Eles descobriram que o leite do grupo para experimentação visivelmente apresentava redução de gordura, e suas glândulas mamárias proporcionalmente admitiam menos gordura do suprimento sanguíneo. Alguém poderia supor que mecanismos metabólicos dos ratos foram capazes de detectar os danos oxidativos para as gorduras e, portanto, eles a rejeitaram, preferindo fazer ao invés de arriscar com as consequências de alimentar seus filhotes com gorduras oxidadas. Consequentemente, os filhotes do grupo para experimentação ganharam significativamente menos peso do que os filhotes do grupo de controle.

Produtos que vêm em caixas, como biscoitos e bolachas que contém gorduras polinsaturadas processadas são manipulados com antioxidantes e até antibióticos para protê-los da deterioração. Uma vez consumidos, contudo, ainda têm que serem protegidos contra o ranço. As leis bioquímicas funcionam da mesma forma dentro ou fora do corpo. Há bastantes bactérias pelo corpo que ficariam ansiosas para assumir a manutenção de gorduras rançosas. O corpo apresenta dispositivos para todos os tipos de estratégias a fim de proteger as gorduras contra oxidação (de se tornarem rançosas) e contra ataques por bactérias. Porém sua tarefa é mais facilmente cumprida para as gorduras saturadas do que as gorduras insaturadas, e para as frescas do que as antigas.

Se pararmos de tentar sobreviver com tão poucas gorduras quanto possível na dieta, então não temos que nos preocupar tanto com a obtenção dos corretos tipos de gorduras. Se o corpo é abastecido com uma superabundância de gorduras, ele pode escolher para encontrar a gordura perfeita para combinar com cada necessidade específica; gorduras em excesso ou defeituosas só podem ser usadas como combustível, onde não é muito importante qual seja a gordura, contanto que ela possa se desintegrar para liberar energia.

15. Resumo e Conclusão

Este é um momento empolgante para a pesquisa sobre o mal de Alzheimer, já que novas e surpreendentes descobertas estejam surgindo rapidamente, e forma-se a evidência que fundamente a noção de que o mal de Alzheimer é uma doença de deficiência nutricional. É uma indicação do tamanho progresso que tem sido feito em anos recentes para, observando-se que 42% das referências deste ensaio foram publicadas em 2008 ou 2009. Uma nova teoria popular é que o mal de Alzheimer pode se desenvolver a partir de uma limitação na habilidade de metabolizar a glicose no cérebro. O termo “diabetes tipo 3” foi criado para descrever este defeito, o que frequentemente aparece bem antes de quaisquer sintomas do mal de Alzheimer [49]. Uma mudança de metabolismo aeróbio para anaeróbio da glicose no cérebro parece ser um prenúncio de Alzheimer tardio na vida, mas defendo que a razão para esta mudança é para que ambos forneçam um ingrediente básico (piruvato) do qual e sintetizem os ácidos gordos, enquanto simultaneamente, protege-os da oxidação potencialmente prejudicial. O alelo ApoE-4, que está associado ao aumento do risco de Alzheimer, claramente envolve defeitos no transporte de gorduras e colesterol, e a excepcional redução seis vezes maior da quantidade de ácidos graxos presentes no fluido cerebrospinal dos pacientes com o mal de Alzheimer [38] anuncia, a mensagem de que a insuficiência em gorduras é parte chave do quadro. A observação de que a mielina está decomposta nos lobos frontais dos cérebros das pessoas que têm o alelo apoE-4, adiante fundamenta a teoria de que o mecanismo de reparo de mielina é deficiente.

O colesterol obviamente desempenha papel vital na função cerebral. Gritantes 25% do total de colesterol do corpo se encontra no cérebro, e está presente em abundância tanto nas sinapses quanto na membrana de mielina. O colesterol em ambos os lugares tem se mostrado de papel absolutamente essencial no transporte de sinal e no crescimento e reparo.

Dada a forte função positiva desempenhada pelo colesterol, pode-se supor que os medicamentos à base de estatina aumentariam o risco de desenvolvimento do mal de Alzheimer. Contudo, a indústria de estatina tem sido notavelmente bem sucedida até agora em esconder este fato doloroso. Elas têm conseguido para dar muita atenção à observação de que níveis elevados de colesterol muito mais cedo na vida é associado com um aumento do risco de ser ter Alzheimer trinta anos depois. Ainda eles não oferecem um único estudo, nem mesmo um estudo retrospectivo, para fundamentar qualquer alegação que a redução de colesterol ativamente através de terapia com estatina melhoraria a situação para estas pessoas. Na verdade, mais gravemente, a evidência do uso da estatina que responderia a pergunta estava “indisponível” para os pesquisadores que conduziram o estudo seminal.

Beatrice Golomb é uma doutora que coordena o grupo de Estudos sobre a Estatina UCSD, uma equipe de pesquisa que ativamente tem investigado o equilíbrio entre risco-benefício das drogas com estatina. Ela está cada dia mais convencida que as drogas com estatina não devem ser recomendadas para os idosos: que no caso dos riscos compensam claramente os benefícios. Ela apresenta um forte argumento para esta afirmação em artigo disponível online aqui [15]. A seção sobre o mal de Alzheimer é particularmente atraente, e chama a atenção para as armadilhas baseando-se em estudos anteriores feitos pela indústria da estatina, onde muitas vezes aqueles que têm problemas de memória como efeitos colaterais das drogas com estatinas são excluídos do estudo, para que os resultados acabem inadequadamente tendenciosos em favor das mesmas. Em resumo, ela escreveu: “Deve-se enfatizar que a evidência experimental aleatória tem, até esta data, sido regularmente mal-sucedidas quanto a mostrar os benefícios cognitivos advindos das estatinas e tem fundamentado nenhum efeito ou dano franco e significativo à função cognitiva.”

Além de se recusar a participar da terapia á base de estatina, outra maneira em que um indivíduo pode melhorar suas chances contra o mal de Alzheimer é consumindo bastantes gorduras alimentares. Parece estranho de repente mudar de uma dieta “saudável”, pobre em gorduras, para uma dieta cetogênica com teor extremamente alto de gorduras, uma vez que feito o diagnóstico do mal de Alzheimer. Uma dieta cetogênica, idealmente, consiste de 88% de gorduras, 10% de proteínas e 2% carboidratos [11].

Isso quer dizer, é absurdamente alta em teor de gordura. Parece muito mais razoável apontar para algo como 50% de gorduras, 30% de proteínas e 20% de carboidratos, a fim de defender pró-ativamente contra o mal de Alzheimer.

Eu muito recomendo um livro recente escrito por um cirurgião pediatra cerebral, Larry McCleary, M.D., chamado The Brain Trust Program [33]. Este livro oferece riscas e fascinantes informações sobre o cérebro, como também recomendações específicas de formas para a melhoria da função cognitiva e impedir o mal de Alzheimer tardio. Mais significativamente, ele recomenda uma dieta que é rica em gorduras animais e colesterol, incluindo uma abundância de peixes, mariscos, carne e ovos. Ele também recomenda coco, amêndoas, abacate e queijo, todos os alimentos que contêm uma quantidade significativa de gordura, incentivando a vacância dos “carboidratos vazios.” Seu conhecimento sobre este assunto surgiu do seu interesse em ajudar seus pacientes jovens a serem curados mais rapidamente após um trauma cerebral.

Nossa própria nação atualmente está estimulando para um ataque de Alzheimer, em um momento quando a geração baby boomer está se aproximando da aposentadoria e o nosso sistema de saúde já está em uma crise de crescentes custos e fundos reduzidos. Não podemos pagar o alto custo dos cuidados à população crescente de pacientes com Alzheimer que nossas práticas atuais de dieta pobre em gorduras e o sempre crescente uso de estatina estão promovendo.

Apêndice. Neste apêndice, eu incluo o resumo completp de duas folhas relevante para a teoria aqui apresentada. O primeiro é o resumo de referência [19] em [46], que é referência [44] aqui [veja a seção sobre drogas com estatina acima para contextualização]:

Resumo, “Evidências de ensaios clínicos e epidemiológicos sobre um papel preventivo para estatinas no mal de Alzheimer:”

“Este trabalho comenta dados de ensaios clínicos e epidemiológicos sobre se o uso de estatina reduz o risco do mal de Alzheimer (AD). As informações disponíveis chegam de três formas. A inicial, na maior parte relatórios observacionais cruzados, sugeriu que as estatinas poderiam prevenir a demência. Em seguida, dois grandes ensaios clínicos com estudos de complemento cognitivo mostraram nenhum benefício e nem a terceira maneira, novamente com estudos observacionais. A última era predominantemente longitudinal, e foi importante nos primeiros estudos para que a indicação não confundisse a abordagem adequada (ou seja, que aos pacientes com demência seriam negadas as estatinas). Mais recentemente, novos dados do Estudo Canadense sobre Saúde e Envelhecimento têm mostrado uma mistura de resultados. Enquanto as considerações metodológicas são claramente importantes na compreensão porque os relatórios são tão variáveis, poderia também haver mérito na diferenciação entre as estatinas, com base em seus presumíveis – variáveis – mecanismos de ação na prevenção de demência, antes de concluir que os relatórios iniciais são inteiramente artefactuall. Ainda assim, os primeiros relatos parecem superestimar a extensão da proteção, para que a menos que existam importantes efeitos atingíveis com estatinas específicas, mais que um papel modesto para as estatinas na prevenção do AD parece improvável”.

O segundo resumo é tirado da referência [28], na “hipótese alternativa” que o amiloide-beta é protetor, ao invés de prejudicial para o mal de Alzheimer, ou seja, que é uma “resposta protetora ao insulto neuronal:”

Resumo, “Amiloide-beta no mal de Alzheimer: a nulidade contra as hipóteses alternativas:”

“Há quase 20 anos, o foco principal para pesquisadores que estudavam o mal de Alzheimer era o amiloide-beta, tal que a hipótese da cascata amiloide tornou-se a “hipótese nula”. Com efeito, o amiloide-beta é, pela definição atual da doença, um jogador obrigatório na fisiopatologia, é tóxico para os neurônios in vitro e, talvez mais convincente, é aumentada por todas as influências genéticas humanas sobre a doença. Portanto, o direcionamento do amiloide-beta é o foco de interesse considerável básico e terapêutico. No entanto, um grupo cada vez mais vocal de investigadores chegam a uma “hipótese alternativa”, afirmando que o amiloide-beta, enquanto certamente envolvido na doença, não é um evento de iniciação mas é secundário a outros eventos patogênicos. Além disso, e talvez mais contrário ao pensamento atual, a hipótese alternativa propõe que o papel do amiloide-beta não é como um prenúncio de morte, mas mais uma resposta protetora ao insulto neuronal. Para determinar qual hipótese relaciona-se melhor ao mal de Alzheimer é necessária uma visão mais ampla da patogênese da doença, discutida neste documento.”

John Miller
Follow us

John Miller

John has worked in investment banking for 10 years and is the main author at 7 Binary Options. He holds a Master's degree in Economics.
John Miller
Follow us